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    Fatias de Felicidade

    De tempos em tempos a gente experimenta fatias de felicidade. Sim, fatias. Quem é que come a travessa de doce inteira ?

    - Não seja zoiudo menino !

    É verdade. Tudo demais enjoa ou causa indigestão. Então, coma uma fatia hoje, ou talvez duas. Deixe uma pra amanhã, ou depois ...

    - Mas que loucura ! Do que é que você está falando ?

    Felicidade, meu caro. Estou falando de uma bela Travessa de Felicidade. Um Pirex de Alegria. Uma Tupperware [Pronúncia abrasileirada = "tapauér"] de contentisses.
    Quer um exemplo ? Eis as minhas fatias: 

    Fatia 1
    PARQUE. Que tal um passeio no parque no domingo à tarde ?
    Sabe quando você senta na grama, franze a testa por causa do sol, respira fundo e solta um "aiai" ? 

    Fatia 2
    COMPRAS. Sim, é muito bom ir à sua loja preferida comprar algo que te encha os olhos, ou os olhos de alguém. 

    Fatia 3
    ALGUÉM. Por falar em alguém, que tal um encontro cheio de saudades, ou ouvir um sincero "eu te amo", ou aquela sensação de pertencer ? 

    Fatia 4
    FAMÍLIA. Bem, família para uns é doce e para outros [pense em um prato ruim] ... eu diria: Bife de Fígado ! Argh ...
    Mas, hey ! Não é bem assim !
    Outro dia fiz compras no Supermercado com a minha mãe, foi bem legal. Ela me deu dicas do tipo "Aquele tempero alí é ótimo!".
    Em nosso último encontro em sua lavanderia no fim de semana passado, fofocávamos sobre a reforma do vizinho da frente; ele tem uma churrasqueira no quintal agora. 

    Fatia 5
    CANTAR. Já experimentou cantar ? Pois cante.
    Bem ou mal entoe seus Lálaiás preferidos de vez em quando. Quem canta seus males espanta e, acredite, dependendo do seu talento e afinação, cantando você pode ser capaz de espantar muito mais do que males ! 

    Fatia 6
    COMES E BEBES. Pois é. Fico feliz quando como salada e ... quando bebo vinho ! [sério ? não diga ...] 

    Fatia 7
    FIM DO EXPEDIENTE NA SEXTA-FEIRA. Eita, essa é boa. Sem comentários. 

    Enfim, sete é o número da perfeição segundo a Bíblia. Mas de onde vêm essas, existem muitas outras, com certeza.
    Sabe o que é ?
    Nosso dia-a-dia nos oferece pratos ruins às vezes. A gente tem que comer deles também.
    Mas, olha só: temos a Sobremesa ! 

    O Pirex !
    A Travessa ! 
    A Tupperware !

    Aí é só curtir uma boa fatia. Vai uma aí ?

     



     Escrito por Leandro Rodrigues às 12:34:59 PM
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    Só o que posso dizer é que ao teu lado eu estou em paz, seguro, suprido. Mesmo sendo você tão jovem, frágil. No entanto e na maioria das vezes tão responsável e superior.
    Você me surpreendeu desde o primeiro olhar, desde a primeira impressão, desde o primeiro "oi".
    Uma pessoa muito consciente de seus compromissos, realidade e sonhos. Conhece suas dificuldades e as encara corajosamente; de alguma forma simultâneamente muito brava e suave...

    Ok, isso está parecendo descrição de signo ... hehehe

    Mas, a verdade é que prezo e respeito aqueles que valorizam sua família e seus laços afetivos; penso que são estas coisas mais importantes do que quaisquer outras. Como uma construção necessita de bases firmes, um homem também precisa de bons alicerces para manter-se de pé.

    É gostoso finalmente encontrar uma pessoa tão tranquila, pacífica, calma. É interessante parar de desejar e apenas "relaxar e gozar" ... hehehe.

    Bom,  algo acontece. Algum sentimento bom compartilhado.

    ... Fogo de palha ?

    Não, não ... relaxa.

    Aqui ainda temos muito barbante e querosene para queimar.

    P.S.: Quanto ao título, código interno, nada a declarar ... hehehe



     Escrito por Leandro Rodrigues às 8:14:33 AM
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    Olá ?

     

    Olá? 
    Olá ?
    Senhora ?
    Por favor, sabes que caminho devo tomar para chegar ao Vale ? Acho que me perdi.
    Não sei como voltar aonde parti e acho que me atrapalhei um pouco com as bifurcações na estrada até aqui.

    Não conheces o lugar sobre o qual lhe indago ?
    Falo do Vale dos Sonhos. Tens certeza que nunca ouviu coisa alguma sobre ele ?
    A Terra da Utopia, o Rancho do Devaneador o Rio da Estravagância ?

    Céus !

    Se desconheces o lugar permaneço em minha falta de norte. Um errante.
    Sabes que é a primeira alma viva que encontro nessa vereda ?

    Não Senhora. Agradeço seu convite, mas eu temo não poder ficar aqui lhe fazendo companhia.
    Conversamos um bocado e nem nos apresentamos !  Qual a sua graça mesmo ?
    Sim ! Claro ! Senhora Faltafé.

    Me perdoe eu tenho mesmo que lhe deixar. Quem sabe encontro outrem estrada a fora ?
    De qualquer forma foi um prazer.
    Adeus Senhora Faltafé.



     Escrito por Leandro Rodrigues às 11:09:18 AM
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    Eu o espectador

     

     

    Na verdade eu sou o espectador. Aquele que assiste. Um como qualquer outro, que se senta e entrega seu tempo e atenção. Ri até enrubescer a face,  que chora feito criança. O que aplaude. Aquele que não faz parte dos fatos. Que apenas aprecia o belo espetáculo e que ao final se levanta e vai embora. Desliga a TV. O que se lembra que está no cinema quando as luzes voltam a se acender. Com ele apenas pensamentos, conclusões, um lenço, a olhada na janela. 

    Mas é sonho do espectador ser espectado. Ser ele mesmo o protagonista de películas almodovarianas.

    É o desejo dele deixar a poltrona da inércia e sentir frio na barriga enquanto aguarda sua deixa na coxia daquele palco tão emocionante. 

    "Minha nossa, poderia eu viver algo assim ???"



     Escrito por Leandro Rodrigues às 8:20:45 PM
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    Odeios

     

    Odeio precisar falar

    Odeio ter que ir dormir

    Odeio ter que te deixar

    Odeio não poder ver você sorrir

     

    Odeio quando muda de assunto

    Odeio ter que concordar só pra estar junto

     

    Odeio lembrar do teu abraço

    Do teu beijo

    Do teu perfume

    Dos teus olhos fechados dos quais tenho tanto ciúme

     

    Odeio não ser

    Não ter

    Não poder

    Odeio não te merecer

     

    Odeio ser assim como sou

    Odeio esse meu coração

    Que apronta e me deixa aqui onde estou

    Afogado no mar que é a palavra não



     Escrito por Leandro Rodrigues às 2:35:19 PM
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    Silêncios

     

    Eu não gostava de silêncios.

    Os achava assustadores, frios, intermináveis. Eu não entendia de silêncios antes de conhecer o Leandro.

    Na verdade, entendia bem menos de muita coisa antes de conhecer o Leandro.

    Há pessoas, como eu, que precisam fazer um esforço descomunal para se comunicar.  Usam e abusam das palavras.  Tem vezes que rimam, outras vezes gritam ou estampam outdoores pelo mundo.

    Também usam expressões dignas de cinema mudo. Exageros no olhar, rugas de expressão de fato lá no futuro.

    O Leandro não abusa de nenhuma delas. Há uma pausa certeira em tudo o que diz.

    Há um olhar perfeito quando olha. Só os pouco inteligentes o tomariam como um "sem graça".

    Os insensíveis não o perceberiam. A graça da vida está nas pessoas como esse garoto, que com apenas um sorriso abre um mundo de possibilidades.

    Alguém que com pouco apenas faz aquele monte.

    Alguém que de tão bondoso não olha pra si. Não repara nas suas especialidades. Não nota os seus detalhes.

    E assim, talvez ele se esconda, fuja dos refletores e aceite papéis secundários.

    Mal sabe ele que existem pessoas que o observam, o "assiste".

    Ele não crê nisso. Ri quando dizem, foge quando ouve. Mas no fundo, no fundo ele sabe de seu tamanho e importância.

    De como entende de ganchos e recomeços.

     

    Eu não entendia de silêncios. E vi que não entendia nada de nada.

    Não entendia de olhares, de amizade, de cumplicidade, de carinho, de atenção.

    Não sabia ser querido. Não sabia querer.

    Eu não gostava de silêncios ...

     

    (Escrito por Claudio M. Junior)



     Escrito por Leandro Rodrigues às 2:31:20 PM
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    "Você é inexpressivo ..."

     

    Expressivo: Adj. Que exprime. Significativo. Expressão. Manifestação.

     

    Inexpressivo: Prefixo 'in' indica forma negativa do adjetivo em questão.

    Portanto, inexpressividade significa incapacidade de expressão.    

    (mini dicionário Aurélio)

     

    Houve um tempo em que eu era um músico de igreja. Tocava teclado e fazia vocais. Louvores, hinos de adoração a Deus.

    Era integrante de um grupo de outros músicos e cantores, os chamados LEVITAS. Nome bíblico que se refere a uma das tribos de Israel - atribo de Levi, servos de Deus. Os que O serviam em Seu templo.

    Naquela época, compromissos com a igreja e com a música me tomavam a maior parte do tempo. Era dedicado, sério, produtivo. O culto iniciava e eu meus olhos viam apenas teclas pretas e brancas. Meus dedos as tocavam e todo o meu ser se realizava. Era o meu próprio espírito falando, meu coração. Era o que eu tinha a oferecer, notas sinceras, minha EXPRESSÃO.

     

    Então alguém um dia me disse que não era suficiente. Que eu estava fazendo da forma errada. Alguém me disse que eu não agradava. Explicou-se usando a palavra INEXPRESSIVO. Disse-me essas palavras com hálito de superioridade. Fez um julgamento pesado. Foi um comentário indigesto.

     

    As notas e sons que eu produzia não bastavam. Para ela nada diziam. Notei que ela havia me comparado aos demais músicos. Percebi que para ser um levita suficientemente expressivo eu precisaria de um curso de expressão corporal.

     

    Sim !!! Eu precisaria tomar aulas com Charles Chaplin. Não haviam sorrisos, caretas, rebolados, nem palhaçadas suficientes. Era esse o idioma dela.

     

    Eu era então inexpressivo.

     

    Não é a expressão uma linguagem ?  

    Sim, uma manifestação que utiliza uma porção de meios para funcionar e que relaciona-se diretamente com a SENSIBILIDADE.

     

    Uma pequena dose de sensibilidade me torna capaz de compreender gestos, palavras, imagens, silêncios, sons e notas. Eu preciso ser sensível o bastante para compreender que existem diferentes canais de expressão. Vias independentes que podem ou não interagir.

     

    Foi quando a indigestão aliviou. Me sentia melhor por perceber naquela conversa,  que em mim não havia INEXPRESSIVIDADE.

     

    Havia de fato uma lacuna, uma falta. Porém, não estava em mim.

     

    Estava do outro lado. Um problema, uma dificuldade, um substantivo com um mesmo prefixo:

     

    INSENSIBILIDADE.

     



     Escrito por Leandro Rodrigues às 2:04:15 PM
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    Frases Soltas no Metrô


     

    "... compareça ao SSO. Atenção funcionária da limpeza Hirozângela Batista Soares, compareça ao ..."


    "... Não, e eu falei pra ela ! Adiantou ? Lá foi ela ligar pro ex novamente. Menina, e eu louca pra ela desencanar de vez dele pra eu pegar o moço ... hahaha ..."


    "... Ham, em virtude da grande quantidade de baixas durante a guerra, o governo precisou contratar mais oficiais para fortalecer o exército da marinha... Não é isso ?"


    "... Estação Sé. Desembarque pelo lado contrário do trem.  ... retificando ..."


    "... hahaha, mano aquela mina arrasta ! Cê num tem noção do que a boca dela é capaz ..."


    "... Gente esse povo não sabe o que é banho não ?? hahaha ... Desodorante, colônia, Hum ? ..."


    "... Ai moço descurpa viu ..."


    "... Bee, isso aqui no dia da parada fica bombandooo !! As Drag desce alí na plataforma do meio e causa horrores !! Esse ano eu vô descê naquela escada loira, alta e mortal !! hahaha ... A lôka !"


    " - Minha namorada é alérgica a glutén ...
      - aff, Sério ? Ter uma namorada alérgica a comida é pior do que ter uma namorada com pinto ..."


    " - Ow, meu mijo tava super escuro hoje de manhã. Parecia Ice Tea.
      - Você deveria ter experimentado ..."



     Escrito por Leandro Rodrigues às 8:39:47 AM
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    Os Adultos são Chatos !

    Eu costumava passar minhas tardes de domingo na casa da minha avó. Era criança e disputava com meus primos olhares sobre o Pavê de Frutas; especialidade de uma tia minha.

    Madrinha, aliás.

    Sabe,  estou longe de ser um católico sarado, porém, certa vez me batizaram em uma dessas igrejas. Não tive escolha.

    Mas e o Pavê de Frutas ? Sim ... Muito bom !
    Pelo menos nada sobrava.

    Minutos após o Pavê, os primos decidiam entre um rodízio de voltas de bicicleta no quarteirão, uma partida de Pega-Pega, uma rodada de Cartas, vídeo-game ou saltos no Pogo-Ball. Não haviam problemas ou ansiedade. Que preocupações tem uma criança de 10 anos de idade ?

    Os adultos jogavam partidas contínuas de Dominó sobre a mesa da Copa.
    Riam, gritavam e faziam barulho. À mesa também haviam garrafas e copos de cerveja acompanhados de porções de petiscos de queijo e salame.
    Argh ! Cerveja era algo horrível !! Mas de salame eu gostava. Eu comia algumas rodelas ... algumas. Os Adultos eram chatos e me diziam para ir brincar:

    - Poinhos ! - Era como minha avó costumava nos chamar. - Vão brincar, Vão, vão !

    A casa da minha avó era um lugar muito interessante. Muitos armários misteriosos e coisas para explorar. Meu avô era marceneiro na época e seu quintal era fabuloso !!!
    Uma oficina repleta de tranqueiras.
    Juro ! Qualquer criança 80's ficaria efusiva ali.

    O quarto de minha avó era também instigante ... sombrio, até.
    O Tic-Tac do relógio, fotos pré-históricas nas paredes, coisas desconhecidas sobre o toucador e uma boneca enorme sobre a cama.
    Meu Deus ! Como era estranha aquela boneca !
    Permanecia sentada sobre a cama, com braços e pernas estirados e olhar fixo na enceradeira que ficava guardada no canto.
    Certo dia, imerso em curiosidade, descobri que ao aproximar seus braços um do outro, ela soltava um beijinho:

    - Smack !!

    Havia também na ala sul superior da casa da minha avó, o quarto da minha tia solteirona !
    Lembro-me muito bem do boneco Fofão e do abajur de flores que mudavam de cor.

    - São de fibra ótica ! - Dizia minha tia, orgulhosa.

    Bom, pelo que sei, o mesmo quarto ainda existe na ala sul.  O mesmo boneco Fofão ainda reside por lá. O mesmo abajur de flores cujas cores são aleatórias também continuam consumindo energia elétrica.  Todos acompanham minha tia e seu estado civil inalterado.

    À noitinha minha avó tomava seu rosário, guardado dentro de seu criado-mudo e ia à igreja; Paróquia São Judas Tadeu. Ficava há uma quadra de sua casa.
    Às vezes eu a acompanhava nas procissões que aconteciam na páscoa.
    Era quando uma pequena multidão portando velas nas mãos acompanhava imagens de santos ambulantes e o carro onde estava o padre, os músicos, os cantores e seu sistema de som precário.
    Eu tinha vontade de fazer parte não só ali, cumprindo metros em passos de formiga, mas também portando uma vela acesa, coisa e tal.

    Vontade negada sempre ! Pois minha avó não permitia:

    - Não, não Poinho ! Você é só uma criança ! Quando você for grandinho lhe dou uma !

    - Os adultos são chatos. - Pensava.

    A noite chegava e junto à vinheta do Fantástico ouvia um "Vamos pra casa" de meu pai.
    Era um saco ! Ninguém queria ir embora.
    Mesmo porque o dia seguinte prometia colégio, lições de casa, etc ... Bah !

    Minha mãe preocupava-se com meu pai:

    - Consegue dirigir? - perguntava ela a ele.

    - As pessoas não conseguem dirigir quando bebem ? - eu pensava.
    Sim, conseguiam ... bom,  meu pai era um craque!

    Entretanto, por vezes ele chegou muito alterado em casa. Mal parava de pé.

    Minha mãe chorava.

    Mas, era domingo e tudo parecia voltar ao normal na segunda-feira.



    Hoje é domingo. Uma linda tarde de domingo. Quase não vejo nuvens no céu.
    A temperatura está ótima ! Mesmo assim, estou em casa, sozinho.

    Meu pai faleceu há algum tempo e por uma série de motivos não vejo minha avó e tias e primos e Pavês há muitos anos.

    Minha mãe também está em sua casa. Agora preocupada com que talvez adoeça por causa de seus filhos-problema.

    Minha irmã ama a Jesus, e somente.

    Não tenho mais aquela cabeça pueril, livre de preocupações e picuinhas como há 15 anos atrás. Não costumo mais brincar de Pega-Pega, não tenho mais meu Pogo-Ball. Não consigo mais achar graça em jogos de vídeo-game ou de tabuleiro.
    Hoje a cerveja é mais interessante do que as fatias de salame.

    Hoje é domingo. Tudo se foi e quase nada se resolve pelo simples fato de amanhã ser Segunda-Feira.
    Mas algo ainda prevalece: a vinheta do Fantástico.
    Evoluída e modernizada, cumpre semanalmente seu papel e agora sem antigos complementos paternais, lembra-me apenas a respeito da Segunda-Feira iminente.

    - Os adultos são chatos ! - Dizia eu quando criança.



     Escrito por Leandro Rodrigues às 10:12:50 PM
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    Os Corcundas de Segunda-Feira

    Há aqueles dias em que não deveríamos nem mesmo pisar no capacho que fica do lado externo da porta de casa. Sim, sim ... e como são múltiplos esses dias durante o ano.
    Infelizmente não podemos prevê-los e agendar repousos absolutos ou hibernações, então nesses dias pisamos não só no capacho, mas aqui, ali, e possivelmente em algum montinho de cocô de cachorro.
    Há também quem diga que as segundas-feiras são brabas. Talvez pela carga de preguiça e mau humor carregada nas costas das pessoas nesse primeiro dia útil da semana.
    Importantíssimo salientar que alguns ficam visivelmente corcundas às segundas. Já reparou no seu chefe, no caixa do mercado, no cobrador de ônibus, no porteiro  do prédio ? E quanto aos policiais ?  

    Eu tive o prazer de experimentar a agradável companhia de nossos amigos fardados. Anote: foi numa dessas segundas-feiras. Voltava para casa tarde da noite e em virtude disso avancei um sinal vermelho. Então,  no retrovisor piscavam luzem vermelhas: 

    - Será que o farol vermelho ficou com raiva e veio tirar satisfações ? – Pensei.

    Antes fosse. Era na verdade uma viatura da Polícia Militar. Solicitavam suavemente para eu parar  e sair do carro.

    - Mãos no capô moleque ! – Berrou um deles.
    - Ok ! – Respondi.

    E compreendi que por ter avançado um sinal vermelho havia me tornado um meliante. E deveria ser tratado como tal. Sim, por que lei é lei e estão aí para serem cumpridas: 

    - Não furtarás !
    - Não matarás !
    - Não avançarás o sinal vermelho !
     

    Segundos após tentar me justificar induzido por perguntas,  o Policial então disse que eu deveria ser  fichado por Desacato à Autoridade. Mas ele estava blefando.
    Segundo a Excelentíssima Autoridade eu teria sido rapidamente liberado, se não fosse por um detalhe muito insignificante:  eu precisaria ter encontrado minha carteira. 

    Pois é ... Logo eu ?? Minha nossa, eu sou um nerd !
    Eu devo ter todos os comprovantes de voto de todas as últimas eleições em casa, inclusive. Mas a minha carteira ! Onde é que aquela maldita havia se enfiado naquela segunda-feira ? De repente fiquei tão corcunda quanto aqueles Policiais. 

    - Sargento, eu não encontro minha carteira com os documentos. Ela deve estar em casa há 300 metros daqui. Mas tenho aqui comigo os documentos do carro. – Disse eu, com cara de ué.
    - Teremos de ir até sua casa procurar sua carteira,  moleque ! – Respondeu a Autoridade.
    - ... moleque. – Pensei.

    Fui então passear na viatura até a minha casa. Muito digno. Para quem ainda não conhece, o assento não é acolchoado.
    Minutos depois, subi até o apartamento sozinho para procurar a carteira. Estava nervoso e fiz uma bagunça muito grande. A desordem aumentava à medida que não conseguia encontrar a carteira. 

    - Onde é que você se enfiou sua filha da puta ??? – Berrei. 

    Haveria perdido em algum lugar ? No supermercado talvez ...
    Desci e fui ao encontro dos Sargentos que me aguardavam com suas respectivas corcundas e apresentei minhas mãos vazias. 

    - Moleque, encontra alguém habilitado pra pegar teu carro que daqui ce num sai com ele. – Disse o Policial de forma suave.

    - Tarde da noite, quem dirigiria meu carro ?  O porteiro !!! – Pensei. 

    Não, ele não era habilitado. Então, tive que recorrer ao cordão umbilical. Mesmo que muito angustiado por ter que fazê-lo, liguei para minha mãe que veio me ajudar. 

    Ao final,  fui autuado por não portar os documentos e por avançar o sinal vermelho. Eu tremia de indignação. Estúpida Carteira. 

    Moral da história:

    Percebi que o banco detrás da viatura é diferente do banco de trás do táxi;
    Somei às minhas dívidas mais duas lindas continhas; são amarelinhas.
    Dormi muito pouco naquela noite;
    Minha mãe disse que nunca vai me perdoar e etc, etc. 

    Um aplauso aí minha gente para a Polícia Militar que deslocou 3 viaturas e cerca de 8 policiais somente para solucionar este caso de extrema grandeza e gravidade. 

    No dia seguinte pela manhã, enquanto preparava o café eu pensava em toda aquela rotina que haveria de enfrentar: cancelamento de cartões bancários, crédito, um monte de segundas vias, e o escambal ... 

    - Ou não ! - Pensei alto. 

    Na geladeira, dentro de uma sacola do supermercado estava a carteira.
    Gelada, porém intacta.

     



     Escrito por Leandro Rodrigues às 1:00:17 PM
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    Os 10 tristes Pierrôs

    - Você vai desfilar outra vez na comissão de frente Leandro ??  Puxa ! - Comentou um amigo meu no início desse ano. 

    Eu confesso que também fiquei surpreso com o 2º convite. Em 2006 O desfile foi bem sucedido, mas todo mundo sabe que, mesmo com a coreografia toda na cabeça, e sem largar qualquer adereço no meio da avenida, eu não sou o componente mais gracioso. E não era eu o único, diga-se.


    Pertencíamos à categoria "dos que não são da dança", exaustivamente relembrada por nosso coreógrafo.
    O fato é que, com uma tonelada de fantasia e adereços, a comissão de frente da Acadêmicos do Tatuapé, cruzou o Sambódromo de São Paulo em 2006 com muita garra e vontade de vencer.
    Calamos uma porção de bocas criticosas já que fomos o único quesito a conquistar dos jurados do desfile do Grupo Especial a nota máxima. 


    É bíblico: " Os humilhados serão exaltados ..."


    A escola foi rebaixada ao grupo de acesso por não ter recebido notas competitivas nos demais quesitos. Então, no início do ano de 2007 se iniciaram as primeiras reuniões, ensaios e definições referentes ao desfile da Acadêmicos do Tatuapé no Grupo de Acesso. A escola seria a 10ª a desfilar. 
    Ué ... nada mal. A não ser pelo fato do número de escolas no grupo ser exatamente igual a dez.

    O enredo homenagiaria o pássaro Amazônico Uirapuru - O Deus do mundo alado.
    A lenda conta a história do Índio Catuboré, famoso por encantar a aldeia com sua Flauta. Numa dessas, rolou um clima com a Indiazinha Mainá, que quis saber mais sobre o tal instrumento do Índio.
    O amor é lindo sim, claro. Porém, certo dia, "o veneno da Serpente o calou".
    Pois é, o coitado do Índio não suportou ao poder da suposta cobra.
    Desolada, Mainá clamou ao seu deus, Tupã, por alguma ajuda. Tupã, por sua vez, atendeu ao clamor da linda Indiazinha; transformou a alma penada do Índio em um Pássaro especial, chamado Uirapuru, cujo canto tem beleza superior às demais espécies de aves.

    Bom, continuando ...

    A quantidade de componentes na comissão de frente nesse ano reduziu-se a também 10. Seriam 8 pássaros Uirapurus e o casal de Índios Catuboré e Mainá.

    Um mês de ensaios havia se passado e a coreografia parecia estar funcionando. Estava mais bonita em relação a do ano anterior. Mais expressiva e bastante coerente.
    Alguns componentes desistiram, outros novos entraram.  No final restavam apenas cinco dos que haviam desfilado em 2006. Esses traziam em suas mentes as boas notas conquistadas.

    - AÊ MINHA COMISSÃO DE FRENTE NOTA DEZ ! - Era o que se ouvia no início dos ensaios na quadra da escola, quando o puxador de samba iniciava seus trabalhos.

    Precisávamos então manter nossa reputação. Era uma grande responsabilidade.
    A data do desfile se aproximava, a coreografia estava pronta, porém, ainda nem conhecíamos a fantasia. Isso era preocupante, já que ela sempre traz limitações aos movimentos. Tudo o que sabíamos é que seríamos pássaros e teríamos um cajado.

    A fantasia chegou na academia de dança NO DIA ANTERIOR AO DESFILE.

    Sim, é verdade.
    Daí então, longas horas de ajustes, tanto na coreografia quanto na própria fantasia muito mal acabada.


    - Vem cá, isso é fantasia de comissão de frente ?? Está mais para fantasia de ala ! - dizia um dos componentes.

    Foram necessárias muitas alterações na coreografia, a ponto de perder inúmeros detalhes que em coro concordávamos ser importantes.
    Havia também uma gigante preocupação com um certo adereço da fantasia: O CAJADO.
    Pois é, ele não poderia cair em momento algum, claro.

    No dia do desfile eu creio que todos sofriam um peristaltismo e o que se digeria em cada estômago era um prato de insegurança e medo ao molho de decepção.
    A empolgação existia sim mas era um tanto efêmera. Entretanto, todos sorriam. era necessário.

    Após algumas horas no camarim, chegou o momento, e então saimos às pressas rumo ao portão instalado sobre a faixa amarela que separa a concentração do início do desfile, dos olhos dos jurados, do start do relógio e do consumo de fôlego nos próximos 800 metros.

    Me lembro que passamos por todas as alas até chegarmos ao portão. e ouvíamos:


    - Olhem só ! É a comissão de frente !
    - Uhuul !
    - Vamos lá !

    No portão, em posição, aguardando o "ok" do coreógrafo, olhei para trás e vi o carro Abre Alas. Era grande, oco e pobre para uma grande escola e ... :


    - Meu Deus, quem é aquele dentro do globo ???  - pensei.


    A sensação que experimentei foi a de que o cara do globo me dizia:


    - Tá olhando o quê UIRAPURU ? Vira esse bico pra frente ! E não derrube essa porra de cajado !

    Minha nossa ! O cajado era realmente nosso ponto fraco !
    Mas espere ! Pássaros cagam, cantam, constroem ninhos, botam ovos ... Enfim,  não me lembro de nenhuma espécie usuária de CAJADOS.

    Eu adoraria largar o meu ali mesmo e desfilar sem aquela droga que mal ficava de pé como deveria. Mas não poderia. Os jurados tinham com eles um desenho da fantasia, onde se apresentava um certo pássaro Uirapuru portando um cajado enfeitadinho.



    Então, eu olhei pro céu e fiz algum tipo de oração, sei lá. Estava apenas tentando me concentrar um pouco quando um componente da Harmonia veio comentar:



    - Hey, não é você o que teve problemas com o cajado nos dois últimos ensaios gerais ?
    Acenei positivamente. Meu cajado havia quebrado e precisei deixa-lo de lado já que o mesmo não parava em pé.

    - Então vê se você toma mais cuidado hoje !! - Complementou o rapaz.

    - Elias, meu trabalho é executar a coreografia da forma como ela foi criada, o seu é cuidar para que o material do cajado seja resistente o bastante ! - Respondi.

     

    O desfile começou

    Cajados cairam

    Cajados quebraram

    Cajados não ficavam mais de pé

    Cajados tiveram que ser carregados o tempo todo, minimizando a coreografia

    O coreógrafo sorria o tempo todo ! Está tudo bem ! Diziam seus dentes expostos

    O desfile terminou

    O coreógrafo chorou.  Eu e Mainá também

    Ao final, estavamos todos fantasiados e decepcionados

    Éramos como 10 tristes pierrôs.  Piegas, chorosos e pesarosos

    Fantasias altivas que fizeram parte da maravilhosa e alegre festa Brasileira de Carnaval em contraste com o rosto caído de cada um dos componentes jogados num ônibus que os retiravam daquele local.



    - Gentê ! Uma salva de palmas para a comissão ! - Reclamava um dos componentes.

    Todos então aplaudiram. De fato fizemos nossa parte. Ensaios, correria, renúncia, disposição.


    Às nove da manhã, finalmente com a cabeça sobre o travesseiro, concluí que minha consciência estava limpa.
    Antes de cair no sono me lembrei que mesmo com muitas dificuldades na avenida, ao som do enredo "o Astro Rei Anuncia, Amanheceu e a minha escola vai passar ..."   O sorriso estava sempre estampado no rosto !

    Dormi por 11 horas ininterruptas.

     

    Mas,  Finalizando:
    A Coroa da Incompetência, na minha opinião, vai para a cabeça daquele que disse:

    - Fantasias da Comissão de Frente, OK !  Estão prontas para o desfile ! Já podem ser liberadas e entregues aos componentes.

     



     Escrito por Leandro Rodrigues às 7:03:52 PM
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    Escolhas

    Sempre me lembro com muitas saudades da época do colégio. principalmente das aulas de redação com o professor Geraldo;

    grande figura ...

    Ele costumava dizer que um texto com um mínimo de coerência precisa basicamente de três partes nomeadas genéricamente como: início, meio e fim. Ou Introdução, desenvolvimento e conclusão.
    "Um Bom texto nasce, cresce e morre!".

    Temos então regras. Leis e mandamentos. Até mesmo para escrever pensamentos é necessário manter um padrão. E é exatamente onde mora a magia do escrever: a tradução dos fragmentos da criatividade para uma linguagem na qual todos possam compreender.

    E compreendem !

    Na particularidade de suas opiniões, as pessoas dão às metáforas inúmeros  e diferentes significados. Fazem suas próprias conclusões de acordo com o que acreditam, de acordo com o seu conhecimento e de acordo com o seu humor.

    A vida é uma história, não é ? Um conto coerente ?
    Nem sempre ...
    Ela tem um início, um meio e um fim. No entanto, mesmo inserida nessa pseudo-coerência, a história da vida não é tão fácil assim de se compreender. É tudo muito complexo, personagens demais, fatos  absurdamente inexplicáveis. É como uma grande novela. Comédias, histórias de terror e mistério, profundos dramas e romances inesquecíveis.

    Tenho um amigo que insiste em dizer que a sua vida é um seriado. Ele vive episódios, e não dias. Suas fases são temporadas como num seriado americano. Me identifico com o ponto de vista dele. Tem algo de muito real nisso. Essa perspectiva me oferece a impressão (ou seria uma ilusão ?) de que posso escrever meus próprios capítulos. Diante de um problema ou frente a um acontecimento ruim, imagino que cenas melhores virão. Penso que a  nova temporada que vem chegando talvez seja mais feliz.

    A grande verdade é que todos os dias escolhemos coisas. A roupa que vamos vestir, o que vamos comer no café, a vaga no estacionamento, o status no MSN. Essas escolhas, cada uma delas, por mais singelas e monótonas que sejam, determinam o que vem em seguida. A vida é feita de escolhas. Escolhas constantes. De modo que podem ser elas boas ou ruins. Corretas ou não muito. Honestas ou corruptas. Então, se a vida é uma história, um texto, um roteiro, cabe a cada um de nós, escritores, dar a ela coerência, harmonia, concordância e qualidade.



     Escrito por Leandro Rodrigues às 2:50:34 PM
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    A Ilha Maneja

    Outubro de 2005

    Acabei de desembarcar na Ilha Maneja.
    Nem mesmo conheço seus segredos. Ainda não pude ver o que há por detrás daquela cachoeira de tantas palavras  e nem fui até o momento,  capaz de compreender o que diz o seu breve  e sutil silêncio.   Mas já senti o quanto é acolhedora, muito amável, bonita, divertida, brilhante... O clima é realmente ótimo ! Tão interessante e atraente que quem a conhece nem se lembra que precisa deixa-la ... que precisa ir embora. Eu não sei por quanto tempo vou ficar, preciso ainda checar o meu visto. Tenho ainda que verificar se sou bem vindo, se não atrapalho, ou se de repente, interfiro de forma negativa em seu ecossistema. Longe de mim causar qualquer problema a essa maravilha da natureza. 

    Falando em natureza, o jornal dessa manhã dizia com letras garrafais em sua primeira página: "Principal rio da ilha sofre obra de desvio de curso". Minha nossa! Por que modificar o que parece estar tão correto ? Por que interferir no destino dessas águas ? Qual o objetivo ? Tudo é tão perfeito como está ... O rio está se alargando e ficando cada vez mais bonito! Por que decidiram intervir na ordem natural e tão promissora das coisas ?

    Bem, ao que parece o rio estaria desaguando no oceano cedo demais. As águas nascem doces e extremamente límpidas.  Acumulam-se num leito muito estreito. Percorrem uma linha reta, justa e imparcial. Linha esta, que de tão restrita e imediata, dispensa de forma precoce as águas brandas ao mar. Então, as águas da ilha, antes tão valorizadas, é agora simples salmoura. Anônima, salgada, comum ...

    Ficou então decidido que o rio sofreria alterações em seu curso. O projeto dá a ele algumas curvas fazendo com que as águas atinjam diferentes partes da ilha. Esses novos rumos fazem com que o rio abasteça abundamente o que antes vivia muito longe das margens do. E olha só o que mais ! Haverá também vida! A obra possibilitará que peixes das mais variadas e maravilhosas espécies possam agora enfeitar as àguas da Ilha.

    E então o rio corre em direção ao oceano. Agora não tão anônimo. Hey! É o Rio Maneja!As águas acumularam alguma experiência e estão prontas pra desaguar no vasto e infinito mundo do sal diluído.

    Vou até lá. Se eu puder fazer parte disso, se me for permitido experimentar dessas águas, se ao menos eu puder assistir a tudo isso seria muito bom ! Ficaria muito feliz ! Por que sei que aprenderei algo.                                                       



     Escrito por Leandro Rodrigues às 2:48:09 PM
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    Flash Back # 2

    Poema Antigo ...

    Eu estava esses dias mexendo em umas coisas minhas muito antigas e achei esse poema, ou essa poesia, sei lah ... escrevi essa coisa brega em Outubro de 2003. Lá vai:

    As luzes nas ruas
    os faróis dos carros e os semáforos
    Ofuscam os meus olhos
    Mas me ignoram

     

    Lá fora é tudo tão normal
    O tempo passa e é sempre igual
    Histórias se repetem, pessoas nascem e crescem
    Vivem presas em trilhos antigos

     

    Eu não quero mais
    Me esconder de mim mesmo
    Vou sair por aí e dizer:
    Sou feliz !

     

    Ninguém vai me dizer o que SONHAR
    É preciso SABER,
    É necessário ENTENDER,
    E a vida é quem vai me ensinar.

     



     Escrito por Leandro Rodrigues às 8:00:49 PM
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    Flash Back

    Nas profundezas de um momento

    Março de 2005

    Acredito que somos capazes de transmitir sentimentos e sensações a outro através do olhar, de uma expressão, da energia de um toque. Tudo aquilo que, às vezes, não é pronunciado ou traduzido em palavras, pode, com toda certeza e sem perder intensidade, ser enviado ao outro que, se estiver sintonizado e sincronizado naquele momento, interpreta perfeitamente e compreende a mensagem. É um tipo de comunicação menos prática em relação ás palavras, mas extremamente superior em  abrangência e profundidade.

    E existe um Domingo. Uma Tarde. Um Anoitecer. Foi quando não medi o tempo que se passou durante aquele abraço.

    Nós simplesmente não estávamos mais ali...

    Ali onde ? 

    Nem sei onde era aquele lugar. Era muito grande e confuso. Havia ali naquele espaço saudade, vontade reprimida, relógios e ponteiros, haviam folhas de calendários espalhadas  pelo chão. Pinturas confusas nas paredes, cálices e mais cálices transbordando de água com sal... Haviam pessoas; faces desconhecidas. Flores murchas e pétalas molhadas pelo chão; mais e mais água salmoura. E nem haviam janelas. Apenas duas portas dispostas nos extremos. Como norte e sul, como sol e lua. Uma porta minha outra sua.

    Lá estávamos no centro caótico e psicodélico de sentimentos desordenados. Entregues a todos eles, numa overdose de sensações. Tão louco, tão insano o que eu sentia naquele momento. Foi singular; único. Eu não conhecia o que se passava e nem mesmo tinha o controle da situação, mas desejei que aquilo não acabasse. Que não se findasse.

    Eu tinha uma enorme e significativa quantidade de razões pra não me entregar daquela forma. Momentos antes, eram razões fortes e concretas. Tornaram-se como areia caindo das mãos deixando se levar pelo vento.

    O amor esmagou a razão. A paixão diluiu a ética. A saudade, a sede e a fome inflamaram. Então eu me rendi...

    Foi a hora mais intensa que já vivi. Nunca me esquecerei daquele lugar.



     Escrito por Leandro Rodrigues às 7:55:34 PM
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